O clima não estava muito diferente ao do dia anterior quando amanheceu. O céu estava azul, com apenas pequenas nuvens salpicadas nada ameaçadoras, o sol um tanto fraco, porém, com mostras de não ir embora tão cedo e um vento meio morno batia. A pequena diferença estava na temperatura, que se apresentava um pouco mais alta, mas pouca coisa. Em resumo, o tempo estava bom. Era uma bela manhã de domingo pronta para ser desfrutada.
Kevin mais uma vez acordou depois de Lisa. Ele esperava que isso não se tornasse um hábito, pois já estava ficando envergonhado. O que o despertou foi um cheiro delicioso que vinha da cozinha e que não deu para distinguir o que era exatamente. Parecia bolo. Seja o que fosse, o instigou a pular da cama, ou melhor dizendo, do colchão, sem a menor preguiça.
Dobrou as roupas de cama, colocou-as no sofá e encostou o colchão em posição vertical no mesmo canto da peça que havia encostado anteriormente. Espreguiçando-se, atravessou o corredor e pôs a cara na cozinha antes de entrar no banheiro. Como tinha desconfiado, o aroma vinha de um bolo. Um bolo grande, bonito, que Lisa decorava com chantilly de tons rosa e branco. Pelo aspecto, era uma encomenda, o que significava não ser para o seu deleite.
Percebendo que Lisa o tinha visto, acenou com uma cara de sono deprimente.
Dando risadas, ela respondeu ao cumprimento com um: “Bom dia, Conde Drácula!”
Meneando a cabeça, ele foi para o banheiro.
Após cumprir todo o ritual de lavar o rosto, escovar os dentes e se maquiar, finalmente saiu. Chegando quase na cozinha, alguém bateu à porta causando aflição em Lisa.
— Deve ser o Michael! – disse assim que Kevin entrou, sacudindo o confeitador de bolo que segurava, neuroticamente, ato que espalhou uma boa quantia de chantilly rosado pelo piso branco.
— Duvido muito. – disse com segurança. – Aquele não volta mais. – deu uma risada malévola.
Ela não se convencia.
— Com certeza é. Ele costuma vir me encher a paciência aos domingos de manhã e se me encontra em casa, não sai antes da uma da madrugada! Vá lá, atenda e de maneira nenhuma deixe entrar ou diga que estou!
— Não é melhor deixá-lo bater até cansar e desistir?
— Não! O melhor é despachar mesmo! Não viu que ele chega até a dormir aí no lado de fora da porta? Pelo amor de Deus, Kevin! Tente dar um jeito nisso. Não quero passar o domingo trancafiada dentro de casa e muito menos com aquele mala!
— Certo, certo. – procurou acalmá-la. – Farei o meu melhor e tentarei amaldiçoá-lo em mais umas três encarnações no mínimo... – simulou cara de mau fazendo Lisa rir.
Dirigiu-se ao local do perigo comovido com as súplicas que lhe foram feitas.
Abrindo a porta, não se deparou com o que esperava. Era apenas um rapaz desconhecido, ao menos para ele, com um cesto enorme repleto de laranjas debaixo do braço e uma voz estrondosa.
— Bom dia, Lisa está?
— Lisa? Ela… está sim. – afirmou sem estar certo de ter feito a coisa certa.
E se dissesse que não e o sujeito descobrisse que era mentira? Pelo tamanho do armário, não sobreviveria, sem a menor sombra de dúvida.
— Lisa… – chamou com cuidado.
Nenhuma resposta. Lisa estava com medo. Neste tempo em que esperava um sinal por parte dela, Kevin notou uma velha caminhonete estacionada bem em frente da casa.
— Lisa, não é o Michael. É outro cara. – assegurou.
— Certeza? – indagou temerosa.
— Não, ate parece que existem muitos idiotas com cara de Michael fora do hospício para que eu possa confundir.
A risada dela ecoou pela casa.
Passados alguns segundos, ela apareceu, ainda assim com passos reprimidos. Ao constatar quem era, seu semblante transformou-se por completo e um sorriso vivaz surgiu em seus lábios. A feição do visitante não estava muito diferente.
— Richard! – exclamou o nome dele com o entusiasmo de quem canta uma canção.
— Oi, Lisa. – trocavam três beijos no rosto.
— Achei que não viesse mais, quando vem costuma aparecer cedo..
— Só se fosse louco, não viria. Ah, mas hoje o patrão deu uma folga e aproveitei pra dormir mais um pouco. Bebi um pouquinho demais noite passada.
— Conheço o seu pouquinho... – Lisa olhou-o de lado com olhar repressor.
Kevin percebeu que ele tinha um forte sotaque interiorano, muito semelhante ao de Tennessee.
—Veja… – estendeu o cesto em sua direção. – Trouxe pra você. São da fazenda do meu patrão. Eu mesmo que colhi. – sorriu orgulhoso..
Kevin observava a cena com uma certa perplexidade e ironia. Laranjas eram as últimas coisas que Lisa precisava desde que fizera a sua ultima compra, mas como ela era educada...
— Nossa, Richard! Muito obrigada! Parece que adivinhou que eu estava mesmo precisando, sabe que sou viciada em sucos naturais.
— E eu não sei? – o homem disse satisfeito.
Kevin estava boquiaberto com a simulação de entusiasmo de Lisa e pensou ter descoberto nela outro dom: o de atriz
Quando ela ia agarrar o cesto, ele impediu:
— Aonde deixo?
— Pode deixar na cozinha. – falou apontando para a direção da mesma..
O rapaz não moveu um músculo. Foi aí que ela acordou.
— Ah! Entre!
— Sou como um vampiro, só entro quando sou convidado. – disse a Kevin indo direto para a cozinha. – Mentira, isso é só educação. – esclareceu sorrindo com deboche para Lisa.
Kevin olhou para a cozinha, uma expressão confusa no rosto, olhou para a Lisa, encolheu a testa e perguntou:
— Isso foi uma indireta?
Lisa segurou o riso apertando os lábios.
— Que distração a minha! Esqueci de te apresentar, este é o Kevin. – indicou-o assim que o rapaz retornou, prontamente, a sala.
— Falando em vampiros… – disse com sarcasmo, apertando a mão de Richard. – Muito prazer.
— Prazer o meu. – cumprimentou sério, com antipatia, retribuindo o aperto de mão.
Kevin jurou em silêncio para si próprio que jamais apertaria a mão de alguém maior do que ele mesmo dali para frente. Seus dedos chegaram a latejar.
Lisa não sabia o porquê, mas sentia-se pouco à vontade com o contato dos dois. Apressada, tratou de carregar Richard para a cozinha e afastá-lo dos olhos de Kevin.
Em vão. Não levou dois minutos para Kevin aparecer por lá. Apanhando uma maçã, ele sentou-se à mesa e mordiscando a fruta com tranquilidade, tornou-se um espectador da conversa dos dois.
A discussão girava em torno do tão cobiçado bolo que Lisa preparara. Era para o aniversário da mãe do rapaz e ele insistia em querer pagá-lo apesar dos protestos dela. Para Lisa, aquele cesto de laranjas era pagamento suficiente e Richard não queria aceitar. Por coincidência, ele argumentou do mesmo modo que Kevin, dizendo que ela não valorizava o trabalho que fazia. Kevin não pôde evitar um; “também acho” que despertou a fúria nos olhos da garota e uma expressão novamente de antipatia do rapaz. Em resposta ele ergueu os ombros num gesto de: “fazer o quê?”
Richard persistia em seu ponto e não haveria nada que o fizesse mudar de idéia. Lisa sabia disso, não entendia porque discutia ainda. Conhecia-o bem, como era teimoso.
Richard era o tipo de pessoa que quando cismava com uma coisa não havia quem tirasse de sua cabeça. Sujeito determinado, às vezes até demais. Sua aparência já era algo que intimidava. Possuía uma “tonelada” de músculos bem distribuída em seu um e noventa de altura, uma voz exageradamente poderosa e os traços do rosto bem marcantes. Os olhos castanho escuros, o rosto queimado de sol e as sobrancelhas negras e meio baixas lhe proporcionavam um ar de durão, o que em realidade, para Lisa não era tão real. É certo que possuía um jeitão meio fechado, viril, mas bastava uns minutos de conversa para ver que não era tanto assim. Por trás daquela imagem, escondia-se uma pessoa que Lisa considerava dócil.
Pelo visto, somente ela. Kevin observava cada movimento do homem com um discreto pânico.
Vestido com uma camiseta de manga curta branca e uma jardineira jeans desbotada e comprida ao ponto de ter que ser dobrada na canela, ele não parava de sacudir o corpo histericamente, fazendo questão de pagá-la. Ela dizia que se quisesse pagar, que desse o preço então, coisa que ele detestava fazer. Achava que o profissional tinha que ter o seu preço e não ficar à mercê dos clientes que, na maioria das vezes, são uns aproveitadores.
— Lisa, pelo amor de Deus!
— O cesto de laranjas e não se fala mais nisso!
— Nossa, não dá para saber quem é mais cabeça dura! – exclamou Kevin cobrindo o sorriso cínico de sua boca com a mão, o cotovelo apoiado na mesa.
Richard coçou os braços, nervoso, não parava de jogar para cima empurrando o pescoço para trás, o cabelo grosso e negro repicado, em fase de crescimento.
Kevin já pensou que logo dormiria mesmo como um autêntico vampiro. No caixão, dentro de poucos minutos.
Por sorte, sua atenção era mais voltada a Lisa.
— Lisa… - apontou-lhe o dedo indicador com firmeza – Você vai ganhar um inimigo…
Kevin olhava com os olhos arregalados para Lisa, como se dissesse: “Imagina ganhar um inimigo destes”. Só que Lisa não se dava por vencida.
— Se a inimizade é o preço… - falou para o espanto de ambos – Vou pensar em um mais razoável. – cedeu rindo do efeito que produziu nos garotos.
Eles respiraram aliviados.
— Sua teimosa… - cantarolou enlaçando o seu pescoço.
Ela riu.
— Ah, eu é quem sou a teimosa. Tá legal. – deu um beijo em sua mão se libertando – E então, agora que está tudo resolvido…
— Quase! Eu ainda não sei o preço.
— Fique tranqüilo que será um preço acessível.
— Não quero um preço acessível, quero um preço justo.
— Ok… Mas e daí? – mordiscou o lábio com expectativa – O que achou do bolo?
— Mas que pergunta! – exclamou aos gritos fazendo zunir os tímpanos de Kevin – Tá bom demais, mulher! Já posso levar ele agora?
— Tem lugar no refrigerador do seu patrão?
— Ô! Ai dele se não tiver! – cada vez o volume aumentava mais para o horror de Kevin, cujo olhar já não podia aumentar mais, para um pouco de constrangimento de Lisa.
— Bem… Então você pode levar, se quiser. – Lisa ficou de pé, os dois rapazes a imitaram.
— O que você tem, Lisa? – perguntou notando sua agitação.
— Eu? Nada, Richard. Por quê?
— Tá esquisita… - olhou-a com o canto dos olhos e as sobrancelhas mais baixas que o habitual.
Kevin a fixava atento e ela não podia parar o olhar em parte alguma.
— Que nada! É impressão. Deve ser o cansaço, trabalhei muito ontem.
— Eu soube. Você trabalhou pra bruxa da Mary Helen, né? Aquela velha é uma vaca!
Dispensando comentários, Lisa procurou apressar as coisas.
— Se não levar o bolo logo, o chantilly pode estragar. Você viu que tempo doido que andamos tendo agora? – procurava mostrar uma descontração não muito convincente. Não para Kevin que não lhe tirava os olhos de cima. – Nunca tivemos um clima assim, ao menos desde que moro aqui e isto faz anos! - o riso que tentou soltar com graça, saiu nervoso.
— Ai, Deus me livre! – fez menção de “abraçar” o bolo.
— Cuidado! – foi a vez de ela gritar.
Richard deu um pulo para trás na hora.
— Com cuidado, Richard. – amansou a voz, pegando o bolo – Essas coisas tem que ser pegas com cuidado. Todo o cuidado. – colocou em suas mãos.
— Tá certo. Você sabe onde vai ser a festa, não sabe?
— Sei sim. Na casa do seu patrão.
— A casa da fazenda. – relembrou inclinando a cabeça para trás para alcançar o seu ouvido. Como se não falasse alto o suficiente.
— Tá. Eu sei, eu sei. – Lisa dizia enquanto tentava conduzi-lo para o corredor, empurrando leve suas costas com uma das mãos.
— Está convidada. Minha mãe vai ficar tão contente em te ver lá, Lisa. – sorriu – Vai ficar contente com o bolo também.
— Que legal! Agora é melhor você ir logo antes que este chantilly estrague. – sua pressa era evidente – Se isso acontecer será difícil sua mãe ficar contente.
— Ai, Deus me livre! Vou me mandando, então e… Kevin! – despertou a atenção dele – É Kevin, não é?
— Sim. – confirmou – É bom em memorizar nomes, não? – deduziu com simpatia.
Uma simpatia que incomodou Lisa. E estranhamente agradou Richard. Sorrindo, convidou:
— Também está convidado para a festa da minha mãe.
— Obrigado. – agradeceu um tanto surpreso com o convite.
Lisa não acreditava no que via.
— Quanto mais gente tiver melhor. Eu venho para pegá-los com a minha caminhonete. Não! – Lisa ia dizer alguma coisa e ele notou a tempo – Não aceitarei um não como resposta. Passo aqui às sete. Oito horas a gente já vai estar lá, é só uma hora de viagem.
— Só uma hora? – Kevin demonstrou um interesse que Lisa não compreendeu.
— Só. – ele respondeu e ficou meio pensativo.
Ela não deu oportunidade para que ficasse muito tempo ali parado.
— Richard…
Ele virou o rosto para olhar para ela.
— O chantilly… - cantarolou recordando.
— Ah, é! – afobou-se – Eu já vou! Minha mãe vai ficar tão contente! – foi vibrando pelo corredor da casa.
Lisa o acompanhou até a porta e só retornou depois que ele deu partida na caminhonete. Escorando-se na porta da cozinha, deixou escapar um suspiro de alívio. Kevin, sentado outra vez no mesmo lugar de antes, fixou os olhos em seu rosto de um modo firme e gélido, que ela ignorou.
— Quer café? – perguntou aproximando-se da mesa sorrindo.
Ele levantou os olhos para continuar fixando-a da mesma forma e levou um tempo para responder sua pergunta.
— Obrigado. Já comi uma maçã. – exibiu a fruta quase toda consumida com as sobrancelhas em pé.
Lisa logo se deu conta de que havia algo de errado.
— O que foi?
— Nada. – mentiu com um meio sorriso e um cinismo revoltado nos olhos.
— Por que não quer comer?
— Já comi. – levantou de onde estava para jogar o resto da fruta na lixeira azul que ficava ao lado da pia.
Vendo que estava indo para a porta, ela perguntou:
— Vai sair?
Ele apenas fez que sim. Nem se deu ao trabalho de se virar para olhá-la.
— Aonde vai? – continuou, mesmo temendo estar sendo intrometida.
Imediatamente, ele girou nos calcanhares para encará-la e disse:
— Está um dia lindo para dar uma volta. Um dia realmente muito bonito. – acentuou o cinismo.
O seu comportamento estava cada vez mais difícil de entender. Reparando que ela não ia falar nem perguntar mais coisa alguma, ele libertou o que estava quase lhe engasgando:
— O dia está bonito, mas não está tão quente. Nós dois sabemos que aquele chantilly não ia estragar nem em um milhão de anos com este clima. Pra começar porque não era chantilly de ovo. Como eu sei? Tenho pavor de chantilly de ovo, cheira mal. Era industrial com corante rosado, que não sei se reparou, mas decorou seu piso.
Ela ficou sem ação.
Movendo a cabeça de um lado pro outro, ele aconselhou:
— Não pode ser tão soberba assim, Lisa. Sentiu vergonha da simplicidade dele diante de mim e por isso tratou logo de escorraçá-lo daqui. Esta atitude não está correta. Desculpe dizer.
— Não é isso. - ela tentava se defender quase sem voz.
Assumindo uma postura altiva e determinada, ele desafiou:
— Foi o que então? Vergonha de mim dele? Por eu ser muito diferente e ele ter me debochado? Se tem vergonha de mim diante de seus amigos, por que me acolheu aqui em sua casa então? É uma mulher adulta, Lisa. Não vá me dizer que não pensou que isto ocorreria, que não poderia me enfiar debaixo de sua cama toda vez que chegasse gente aqui, até porque, você mal fica aqui e sou eu que venho atendendo as pessoas. Até Samantha tive que encarar.
— Credo Kevin, não é nada disso! - gritou desesperada.
Seguidamente, o desespero tornou-se uma defesa:
— Oras, não venha bancar o santo para cima de mim! Eu bem vi o jeito que o olhava, querendo rir do jeito humilde dele. Isso me constrangeu, ao menos eu assumo.
— E eu não assumo porque não tenho nada para assumir. - rebateu aproximando o rosto tão perto do dela que quase as bocas se tocaram. Houve uma pequena pausa tensa entre ambos, que baixaram os olhos juntos, quase se beijando, contanto, Kevin controlou-se e retomou a atitude anterior. - Eu estava te testando, Lisa. E você... - retirou a jaqueta jeans por estar sentindo calor. - Você caiu como um pato! Eu testo as pessoas, Lisa, sempre. Principalmente aquelas com quem tenho que ter um próximo convívio. - atirou a jaqueta em seu ombro esquerdo e, junto com seu olhar de reprimenda, foi se afastando.
Logo afastou-se e desapareceu, abandonando-a juntamente com sua soberba e vergonha de si mesma.
Perto das quatro da tarde Jeremy resolveu sair do quarto. Não desceu para comer nada e nem quis sair de casa, foi diretamente para o quarto de Samantha esperando encontrá-la. Ela estava quase dormindo com um dos seus maiores ursos (quase maior do que ela) quando ouviu sua porta bater.
— Entra. – mandou sonolenta sem sequer lhe passar pela cabeça que poderia ser seu irmão. Ele nunca batia.
Escutou a porta abrir e fechar e ainda assim, não se deu ao luxo de virar-se pra ver quem era. Imaginou que fosse seu pai com a conversa sobre Kevin outra vez e não quis dar muita moral para não acabar em briga.
— Samantha.
Peraí… a voz que lhe chamou muito próxima não era a do seu pai. Seria de quem acabara de imaginar?
— Jeremy! – virou-se admirada, largando o urso e sentando na cama – O que você quer?
— Será que poderia falar com você?
— Lógico. Senta aí. – pediu depois de derrubar no chão uns seis bichos – Está mais calmo agora?.
Jeremy encontrava-se num desalento terrível. Cabisbaixo, sentou ao lado da irmã na cama e fez uma indagação óbvia e inútil:
— É verdade mesmo, não é? – precisou de uma pausa um tanto longa para organizar os pensamentos e formar palavras que pudessem ser transmitidas – O que… O que aquele cara que veio aqui falou. Ele estava falando a verdade, não estava?
Com um aperto no coração, Samantha não podia negar. Confirmou com a cabeça, apenas.
— Sabe de uma coisa, Samantha? – enfim levantou os olhos. Eles pareciam mortos. – No fundo, no fundo, eu sabia disso. Só não queria aceitar.
— Sabe que eu também? – confessou – Parece até mentira o que está acontecendo, não é?
— Não, não parece não. Pra mim é tão verdadeiro que me assusta.
— O pior é que você tem razão.
— Mamãe ficou tão esquisita quando o viu. Acho que ela nunca esperou por uma coisa dessas.
— É. Achou que já tinha se livrado de Kevin há muito tempo.
Jeremy refletiu por uns segundos antes de perguntar:
— Você sabe mais ou menos como foi toda essa história?
Samantha novamente confirmou com um gesto de cabeça, pondo tristeza no olhar.
— Como foi? – teve vontade de saber.
— Ela engravidou jovem, da pessoa errada. Quando viu que a merda estava feita, ao invés de abortar resolveu “assumir” a gravidez… - Jeremy exibiu um meio sorriso inconformado - … para depois abandonar o filho.
— E agora ele apareceu querendo cobrar isso, não?
— Com juros ao que me parece. Mas não o culpo, não sei o que passa pela sua cabeça. Não sei se não faria o mesmo. Como você sacou?
— Desde a primeira vez.
— Quando mamãe não teve nenhuma reação de defesa, né? Foi a partir daí que comecei a desconfiar também.
— Quando mamãe não teve nenhuma reação de defesa, né? Foi a partir daí que comecei a desconfiar também.
— Não. Não foi bem pelo jeito dela. Foi mais por causa dele.
— Ele lhe pareceu sincero logo de cara, é isso?
— Não, não é isso.
— Como foi então? - indagou perdida.
— Sei lá… Desde a primeira vez que o vi, caminhando aí em frente de casa ele… Não sei se te falei, mas… A primeira vez que ele me olhou, me provocou fortes calafrios.
— Isso é considerável.
— Não. Não foi por causa do visual sinistro, quero dizer, não só…
— Não posso imaginar o que tenha sido nesse caso. Uma espécie de pressentimento seria?
— Parecido. Só que muito mais claro do que um pressentimento. Eu olhava para aquele cara e sentia uns calafrios estranhos, que não podia compreender o porquê e nem saber de onde eles vinham. Agora compreendo.
— Como?
— Captei o negócio. Reparei que só sentia os calafrios quando nossos olhares se batiam.
Samantha pensou um pouco para fazer qualquer pergunta. Não queria parecer tão burra. O problema é que não estava dando para assimilar.
— E o que isso tem a ver? – teve que admitir a ignorância, pouco depois.
Jeremy estreitou o olhar e colocou o seu rosto bem perto do dela.
— Os olhos, Samantha. – afirmou indicando-os com os dedos. – Kevin tem os nossos olhos.
Eu vou ter que reler pois estive fora e perdi um capituko todinho, mas esta muito emocionante e eu adoro sua história.
ResponderExcluirEu estou tentando andar pelos caminhos por onde minhas amigas vivem.
Alguns lugares eu conheci. Outros ainda quero conhecer!
São Paulo foi um dia triste para mim mas quero rever esta terra que tem tantas pessoas lindas e bacanas.
com carinho e amizade Monica.
Lisa, aiii Lisa. Calculava que tal acontecesse .. ela luta por não se importa com o que as pessoas dizem e do outro lado, tem aquele jeito para ajudar as pessoas, independentemente da aparencia!
ResponderExcluirMas uma coisa eu gostei .. foi o facto de Richard o ter convidado! Isso revelou que afinal , o medo de Lisa era desnecessario mas não conseguiu evita-lo! E Kevin, não poderia reagir de outra maneira. Eu acho que Lisa, acreditou de que caso seus amigos o vissem não iria ser maus e coloca lo de parte ... mas daí a acontecer mesmo e sem pré-aviso, deixo-a desnorteada e agiu como achou melhor.
Muito bom este capitulo *.* Aliás, todos os que tens publicado. Parabéns, Chris ;)
Oi Christian!
ResponderExcluirHumm, fortes emoções nessa nova parte... Adoro! \o/
Putz, a Lisa ficou mais uma vez numa situação horrível. De um lado, Richard estranhando o jeito de Kevin e do outro, Kevin estranhando o jeito de Richard. Parece que ela tem vocação pra ficar no meio das confusões. Sei não, mas senti uma pontinha de ciúme no comportamento do Kevin...
Queria que tivesse rolado um beijo ali, massssss... Quero ver agora como isso tudo vai se desenrolar. :S
Quanta sensibilidade do Jeremy ter reparado nos olhos do Kevin... Agora eu entendo o motivo de toda aquela cena quando contaram a verdade a ele. Apesar de ser um tanto infantil às vezes (até por ser tão jovem), ele parece ter herdado um pouco do temperamento do pai.
Uma coisa bacana que reparei é que, sempre quando você posta uma nova parte, tem uma cena tensa e uma um pouco mais tranquila, isso dá uma equilibrada legal na leitura. :)
Beijocas,
Ismália .
Ai como eu adoro ler esta história! :D
ResponderExcluirOlá! :D Adorei este capítulo! Gostei da inserção desta nova personagem que acho que vai dar um pouco de reviravolta pelo menos nos sentimentos de Kevin. Apesar de achar que Richard não é má pessoa, acho que ele tem uma espécie de fascínio por Lisa e Kevin... bem, está a apaixonar-se por ela e os dois não vão resultar lá muito bem! ;) haha estou a tentar adivinhar a história! :P Gostei a parte dos dois irmãos, nota-se uma cumplicidade entre ambos, algo muito bonito que por norma não acontece muito por Portugal.. irmãos são quase inimigos! haha Muitos parabéns e espero (im)pacientemente mais um capítulo! ^^
ResponderExcluirOi Christian só deu pra vir ler minha novela predileta hoje. E acho que o relacionamento dos meninos está esquentando heim??? E Kevin parece enciumado e a Lisa essa já está apaixonada e nem sabe... Mas EUUUUUU SEIIIIII kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirOs olhos... Esses nao mentem jamais. E se forem parecidos, não tem como negar.
Vamos ao próximo capítulo!
Beijokas doces e uma boa semana.
Obrigado Mônica, releia quando puder.
ResponderExcluirPercebi que seu blogue é multicultural. Tal como você, também tenho muitos lugares ainda a conhecer, principalmente neste nosso país.
São Paulo tampouco me traz boas lembranças da estada em que estive lá, contanto, a culpa não é da cidade e sim, das pessoas que tivemos o azar de cruzar em nosso caminho, não se pode generalizar nem misturar as coisas, nisto estou de acordo.
Olá Cassandra. Lisa realmente possui sentimentos e pensamentos contraditórios, contanto, possui a humildade de não julgar, ao menos não tanto quanto os demais na aparência.
ResponderExcluirRichard o convidou e esta festa, o que posso adiantar é que será um tanto perturbadora.
Lisa sabia que não poderia evitar que seus amigos conhecessem Kevin, visto que colocou-o dentro de sua casa, porém Kevin sentiu uma insegurança vindo da parte dela.
Muito obrigado Cassandra. :)
Olá Ismália. Realmente, Lisa não tem muita sorte quando o assunto é não meter-se em confusões, mas a olhos vistos ela sempre dá um jeito, contanto, desta vez, caiu em uma armadilha de Kevin que, como você disse, parece haver um ciúme. Ou talvez seja apenas seu modo de avaliar pessoas. Veremos.
ResponderExcluirJeremy é um personagem que foi feito para surpreender. Eu quis trabalhar nele assim e não somente no clichê do garotinho que ficou traumatizado por ter havido descoberto um novo irmão e por isto daria ataques de histeria. Embora tenha parecido, não foi histeria, foi apenas o choque de que suas dúvidas a respeito de Kevin foram confirmadas e não era algo que ele almejava. Seria muito tedioso mais um garoto rebelde por conta dos problemas dos pais em um trama, por esta razão, decidi fazer Jeremy um pouco diferente, porém, enganando o leitor um pouco de início. rs.
Boa observação. Eu sempre procuro equilibrar os trechos do que escrevo porque eu, como leitor, me canso tanto de livros intensos demais, que me parecem pretensiosos ou que o autor não tem autocontrole, quanto de livros que nada acontecem e ficam somente em cenas mornas.
Meu intuito é passar emoção ao leitor, mas dar um tempo para que ele possa respirar.
Isto é uma satisfação para mim Soraia. :)
ResponderExcluirOlá Hayley. O que posso adiantar é que Richard é um personagem que realmente veio para ficar e muitas coisas em torno de sua pessoa acontecerão, tem razão quando menciona reviravolta. É o que ele fará.
ResponderExcluirE realmente, ele não é má pessoa, apenas um pouco carente para se enturmar, faz de tudo para tentar agradar Lisa, a princípio chocou-se com a aparência de Kevin, o que é mais normal naquela cidade, muito mais ainda quem vive em um lugar mais isolado como ele, contanto, conseguiu agir do modo mais natural que conseguiu e até mesmo convidou-o a festa de sua mãe.
Ahah, todos os leitores quando estão lendo ficam tentando adivinhar a história. Acredito que todos nós sejamos assim. Eu ao menos o sou.
Penso que não somente em Portugal, mas isto de irmãos serem praticamente inimigos é no mundo todo, no entanto, é uma inimizade um tanto quanto falsa. Eu e minha irmã temos nossos desentendimentos, mas nenhum deixa de gostar do outro por isso. São as típicas brigas infantis, penso que neste quesito nunca cresceremos, brigamos e rapidamente fazemos as pazes. ;)
Muito obrigado pelo comentário e elogios, aguarde que domingo voltará a orgarnizar-se isto aqui.
Olá Marly. Infelizmente tive que atrasar esta semana os capítulos devido a problemas com o meu pc. Contanto, agora está tudo em ordem. Creio, ao menos.
ResponderExcluirAhahahahahaha, outra leitora tentando adivinhar a trama! Isto é bem típico de todos nós leitores.
Penso o mesmo que você. E Jeremy. Se formos notar uma família, veremos que não é somente a cor dos olhos que influencia, mas todos possuem semelhanças nos olhares, principalmente entre irmãos e pais e filhos.
Um ótimo fim de semana para você.
Os olhos de Kevin? uhnnnnn...Será que tem alguma coisa sobrenatural...digamos muito mais mistérios do que podemos imaginar?
ResponderExcluirE o caipira, vive no campo...forte..seria um lobo?
rsrsr...muito legal esta jogada sutil.
Abraço
Lobo Aclim? ahah.
ResponderExcluirEstá lendo muito Stephanie Meyer. :P