Anthony saiu para uma caminhada e voltou apenas para o almoço. Perdeu-se um pouco no horário e acabou chegando atrasado. A mesa já estava posta, a refeição servida e apenas Elisa encontrava-se sentada, com as mãos cruzadas em cima da toalha, olhando com desânimo para o prato de macarronada ainda não tocado.
— Já está almoçando? – perguntou sentando-se à mesa com o humor estável. – Não quis me esperar?
— Sei que não é sempre que tira os sábados de folga, mas da próxima vez tente lembrar que é um dia em que não se deve trabalhar muito. Elizabeth é como você, também precisa de uma folga de vez em quando. – disse seca.
Ele estranhou sua maneira de falar, mas desculpou-se:
— Me desculpe. Estava passeando pelo parque e esqueci completamente da hora. Hum… – encheu o seu prato com o vermelho macarrão. – Isso deve estar delicioso!
Elisa olhava para o marido com desprezo. Agora estava contente e com apetite, agindo como se nada houvesse acontecido pela manhã. Parecia até que adivinhara o ocorrido ali dentro.
— Não vai comer? – notou que Elisa nem encostava na comida, que estava deliciosa. – Ou está fazendo mais uma daquelas dietas intermináveis? Se for isso já te falei, você está ótima.
Elisa não dizia uma palavra, apenas mantinha a cara fechada.
— O que foi, Elisa? Por que não come?
— Como posso sentir vontade de comer com minha filha me odiando? – afastou o prato e sem pedir licença disparou para a sala furiosa.
Anthony fez uma cara de dúvida e espanto ao mesmo tempo e foi atrás da mulher. Encontrou-a na janela, esforçando-se para não deixar escapar o choro.
— O que está dizendo, Elisa? Por que acha que Samantha a odeia? .
— Por que você mandou que eu a fizesse me odiar! – esbravejou. –Pronto, Anthony, minha filha me odeia agora! Está satisfeito? – correu pelas escadas para extravasar as lágrimas em seu quarto, longe dos olhos dele.
Não teve tempo nem de derramar a primeira e ele já estava batendo à porta.
— Elisa, abra. Por favor, vamos conversar direito. Não entendi o que você falou.
— Suma, Anthony. – pediu ainda se contendo. – Deixe-me em paz!
— Por que isso agora, meu bem?
“Meu bem…” Que ódio! De manhã ela não era o “Seu bem…”, pensou.
— Elisa, estou falando com você. Por que está dizendo que eu fiz com que Samantha a odiasse?
— Desgraçado... – disse bem baixo para só ela mesma ouvir.
— Elisa, se Samantha soube de alguma coisa, não foi por mim, eu juro.
Elisa de repente abriu a porta e vociferou irada bem perto de seu rosto:
— Ela soube por mim!
— Ela soube por… – encolheu a testa. – Como assim? De manhã ela estava com um ótimo humor e… Quando foi que lhe contou, afinal de contas? Você agiu como se não tivesse dito nada a eles.
— Eu disse agora a pouco para Samantha. Fiz o que me mandou fazer.
— Samantha está em casa? – baixou a voz. Elisa fez que sim. – Mas ela não tinha ido passear? Geralmente quando o tempo está bom e tira o dia para andar de bicicleta só volta para o jantar.
— Mas também quando tira o dia para sair, não fica andando de bicicleta o tempo todo. Costuma sempre parar na casa de alguém e por azar, essa manhã resolveu parar na casa de Lisa.
— O que é que a Lisa tem a ver com isso?
— A Lisa? – sentou na cama, respirando fundo, repleta de indignação. – A Lisa hospedou o Kevin na casa dela!
Anthony abismou-se.
— Sim, foi exatamente o que ouviu. Samantha encontrou-o na casa de Lisa e soube que ele está ficando lá. Veio correndo me avisar, apavorada, inconformada, xingando Lisa e Kevin de tudo quanto era nome e… Achei que não haveria oportunidade melhor para abrir o jogo. Agora ela me odeia. – não pôde mais trancar as lágrimas nos olhos.
Pela primeira vez Anthony viu-se atacado por um esquisito sentimento de culpa, vendo a mulher assim, naquelas condições. Sentia que o mínimo que poderia fazer àquela altura era tentar acalmá-la.
— Meu bem… – pôs-se a alisar os seus cabelos. – Vou falar com Samantha, tá bom?
Ela tirou sua mão de si com força.
— Tudo o que tinha que ser dito eu já disse. Agora volta para a sua macarronada e me deixe em paz! – cerrou os dentes, fulminando-o com o olhar.
Sem retrucar ou fazer coisa alguma, ele se retirou para o alívio dela. Estava com tanto nojo dele, da postura hipócrita que agora estava tomando, que não queria nem olhar mais em sua cara. Muito menos permitir que a tocasse.
O almoço de Kevin e Lisa foi sair às duas horas da tarde, porém, na opinião deles, o importante é que tinha saído. Depois de ficar tanto tempo à toa, ele quem pôs a mesa e garantiu limpar a cozinha após terminarem, deixando as facas grandes por conta dela, lógico.
— E então? – perguntou com uma certa expectativa sobre o que tinha preparado.
Kevin olhou para o seu prato atentamente, pegou o garfo para mexer em seu conteúdo e quando a galinha começou a se dissolver toda, deixando os ossos limpos, a única coisa que teve vontade de fazer foi rir. Controlando-se ao máximo, comprimiu os lábios e levantou os olhos em direção à Lisa, preocupado com o que ia falar. Não queria ofendê-la, só que ao mesmo tempo não gostava de mentir. Teria que ser sutil e sincero, o que naquela situação era quase impossível. O único que lhe veio para dizer foi:
— O arroz está ótimo. – disse retraído.
O arroz estava ótimo, não era uma mentira.
Lisa fitou-o com cara de brava, como se estivesse a ponto de explodir. E sem que pudesse evitar… Explodiu.
De rir.
Kevin de início estranhou, logo começou a dar risadas também, mesmo sem saber ao certo o porquê. Pareciam dois malucos à mesa. Depois de um tempo, ele achou sensato perguntar:
— Do que estamos rindo, afinal?
Tentando parar, ela respondeu com uma pergunta:
— Dos meus dotes culinários?
Quando já estavam com os olhos marejados de lágrimas de tanto rir, Lisa conseguiu justificar exatamente o motivo de tanto sarro:
— A sua cara. – lhe apontou. – Estou rindo da sua cara.
Seu sorriso fechou-se de imediato e suas sobrancelhas desceram, o que provocou ainda mais gargalhadas nela.
— Por que está rindo da minha cara?
— Não é bem da sua cara, mas sim, da cara que fez quando mexeu no meu frango e… E ele começou a se desintegrar todo! – Kevin tornou a rir. – Você precisava ver a sua cara… – tratou de imitar sua expressão séria e preocupada e seu tom de voz. – “O arroz está ótimo”. Não, essa foi demais!
Kevin achou que se não parasse de rir, teria um negócio. Os músculos de seu abdômen estavam todos endurecidos, como se houvesse feito horas seguidas de academia. Percebendo que o segurava, Lisa aproveitou:
— Ahaha! – de novo apontou-lhe o dedo. – Está com dor de barriga! Veja o que meus dotes culinários fizeram com você!
— Pára! Pelo amor de Deus pára, senão vou ter um colapso!
Ela parou com uma cara hilariante. Recuperando a respiração, ele sugeriu:
— Vamos comer antes que tudo esfrie.
— Sim, vamos desfrutar deste delicioso arroz! - indicou o mesmo.
— Lisa, não começa de novo. – pediu sorrindo.
— Certo, certo, é que a sua cara estava muito cômica. Queria que visse. Não sei por que hesitou tanto em dizer que meu frango está uma merda.
— Como poderia dizer que seu frango está ruim se nem sequer o experimentei?
— Nem precisa experimentar. – apanhou um pedaço da refeição “desintegrada” que não parou nem dois segundos em seu garfo, caindo como lodo em seu prato. – Basta um olhar. – tornaram a rir. – Falei que não sou nada boa nisso. Acho que seria melhor se tivesse cortado o seu dedo, afinal de contas, o que você prefere? Dor de um corte ou de barriga?
— Lisa, como você é exagerada!
— Realista. – esclareceu. – Bem, vamos deixar de conversa e comer…
Tomou os talheres e antes de colocar algo na boca, acrescentou:
—… o arroz!
— Lisa… acho que você não tem jeito. – falou começando o seu almoço.
Enquanto comiam, conversavam sobre coisas corriqueiras. Lisa falava sobre os seus alunos de francês, sobre os clientes que solicitavam seus trabalhos de confeiteira e sempre que podia arranjava alguma razão para matar sua curiosidade sobre os góticos, entretanto, Kevin procurava ser bem lacônico. Não queria muito falar sobre a filosofia que seguia porque sabia que se não tomasse cuidado, logo estaria falando de sua vida pessoal, o que não achava uma boa ideia.
Entre uma conversa e outra, Lisa falou que ia ver os meninos de Elisa jogarem basquete à tarde na frente da casa e Kevin aproveitou para comentar:
— Samantha esteve aqui.
— Samantha? –arregalou os olhos.
Ele afirmou com a cabeça ao tempo que deglutia uma porção do frango, que por sinal, não estava com um gosto tão ruim.
— E ela te viu?
— Claro. Eu estava ali na sala, a porta aberta e… – notou algo de estranho em seu olhar. – Ela não podia me ver?
— Por que não poderia?
— Não sei. Você está com uma cara estranha. – parou de comer, largando os talheres sobre a beirada do prato. – Qual é o problema? Eu estava com calor, não agüentei, tive que abrir a porta…
—… e o que é que eu estou falando, cara?
— Está esquisita.
— Claro que não. Só estou um pouco preocupada.
— Preocupada com o quê?
— Sei lá. – sacudiu os ombros, cabisbaixa.
— Seria com o que eles irão pensar? – insinuou meio ofendido.
— Ah, mas é isso mesmo! – exclamou com cinismo. Ele quase acreditou. – Deixa de ser besta, cara! Se eu estivesse ligando para o que os outros pensam, nem teria te colocado aqui dentro. Você me conhece muito pouco, Kevin. Mas eu posso te adiantar, sou dona de mim, tenho personalidade própria e o que é mais importante: não devo nada para ninguém, o que significa que posso fazer da minha casa e da minha vida o que bem entender!
Kevin se impressionou um tanto com o que ela havia declarado. Não entendeu porque se admirou, o que tinha feito por ele já confirmava tudo. Não seria nem necessário ter dito.
— Eu não duvido. – afirmou com sinceridade.
— Não foi o que pareceu.
— Me desculpe é que… É que você ficou estranha.
Nesse ponto persistia, pois acreditava que realmente tinha ficado estranha quando contou sobre a visita passageira de Samantha.
— Fiquei estranha de preocupação. Estou meio transtornada com essa história. Samantha é minha amiga e não quero vê-la sofrer, embora ache que isso seja pouco provável. Não sei por que Elisa teve que agir desse jeito, esconder a verdade para o esposo e os filhos. Será que ela não sabia que não se pode mentir uma vida inteira? Que a verdade, mais cedo ou mais tarde, sempre acaba vindo à tona?
Kevin parou fixo em seu rosto, repleto de incredulidade.
— O que foi?
Ele abriu a boca e não pronunciou uma palavra. Na segunda tentativa conseguiu mais ou menos, sua voz saiu bastante fraca:
— Você… – engoliu a pouca saliva que tinha na boca, sentindo um nó se formando na garganta. – Você acredita em mim?
Diante da pergunta em si e da maneira com que ela foi formulada, Lisa viu-se obrigada a tirar os seus olhos da comida para pousá-los nos dele. O azul intenso era uma mescla de dor e gratidão que de alguma forma afetou os seus sentimentos de um jeito raro. Não era compaixão, nem algo parecido. Era como se pudesse captar o que ele estava sentindo, aquela sensação de confusão e tristeza, sem saber o que fazer ou que rumo seguir. Sentiu isso de um modo tão forte e real que chegava a ser assustador.
— É claro que acredito em você. – respondeu enfim, depois de colocar parcialmente a cabeça em ordem. Sua voz também tinha enfraquecido. – Não acho que tenha viajado tanto para enganar pessoas ou praticar alguma maldade. E também, você não me pareceu ser uma má pessoa. – mostrou um sorriso sereno. – Acho que tenho o dom de reconhecer as pessoas que não prestam e logo de cara percebi que você não é uma das ruins. Samantha também não. Nem você e nem ela mereciam estar passando por isso.
— Eu a estou fazendo passar por isso, não só à Samantha, mas a toda a família.
— Não se culpe. Se alguém nesse roteiro tem que levar alguma culpa, que seja a Elisa. Ela não tinha o direito de esconder a verdade de sua família. Você veio até aqui porque achou que eles sabiam, não imaginou que Elisa fosse capaz de fazer uma coisa absurda dessas de te esconder da própria família, não é verdade? – ele teve que concordar. - Percebi a segurança com que a chamou de mãe na frente deles. – fez uma pausa, ambos ficaram pensativos.
— Você não tem culpa de nada, Kevin.
— Eu não sei. – baixou os olhos. – Às vezes acho que não devia mais estar aqui. Sabe, tenho uma família maravilhosa na Califórnia, que nunca me deixou sentir falta de nada, não sei por que ainda estou aqui. Eu já estava decidido a voltar, só que de repente… - respirou bem fundo – Eu não sei.
— Se já estava decidido a ir embora e não foi, deve haver um motivo muito forte para continuar aqui. Talvez um motivo que ainda nem saiba. Eu acredito nessas coisas, acredito em destino. Os góticos não?
Seu triste semblante modificou.
— Aí vem você de novo! Sabe o que vou fazer? Uma lista do tipo “Tudo sobre a filosofia gótica…”
— “Por Kevin…” Ih, nem sei o seu sobrenome. – riram.
— Não importa. O que interessa é que vou fazer essa lista especialmente para você.
— Sim, mas terá que incluir tudo, tudo mesmo! Até como os góticos são na cama. – brincou.
Kevin simulou espanto.
— Isso não! Isso eu me recuso a fazer!
— Por quê? São tão ruins assim?
Caíram novamente na risada. Em seguida, procuraram calar-se e terminar o almoço que parecia interminável. Foi nesse silêncio que Lisa lembrou-se de um pequeno detalhe…
— E o Michael? Como conseguiu abrir a porta sem que ele invadisse aqui dentro? Ou ele invadiu? – a última pergunta foi temerosa.
— Pode ficar tranqüila, ninguém invadiu nada aqui além de mim. – terminou afastando o prato e servindo-se com suco de laranja.
— Ele desistiu, então? Mas tão rápido! A última vez tive que ficar trancada aqui dentro umas doze horas!
— Eu é que não ia ficar trancado aqui dentro, com esse calor, durante doze horas!
— Como conseguiu abrir a porta e ficar em paz, então?
— Quem disse que fiquei em paz? O cara só faltou me linchar. Queria entrar nos tapas mesmo, só que aí, de repente, desistiu.
— Michael desistir de dar porrada em alguém? Como?
— Ele olhou bem para minha cara e rapidamente mudou de idéia.
— Não estou entendendo.
— É tão óbvio!
— Não. Michael não é o tipo de rapaz do interior que se assustaria com uma maquiagem dark. Ele viveu em New York, fez até amizade com uns punks.
— Mas como você, também não entende nada de darks. Bastou eu dizer... - encarou-a com os olhos bem apertados. - ... olhando bem no fundo de seus olhos que, se não te deixasse em paz, eu lançaria uma maldição
— Você fez o quê? – riu.
— Está surda, Lisa? – acabou o suco e pousou o copo sobre a mesa. – Estou dizendo que falei para ele que se não te deixasse em paz, eu lhe lançaria uma maldição e que esta duraria duas de suas reencarnações. As pessoas ainda acreditam em muitos mitos sobre os góticos e isto a mim, por vezes, me é bem útil. – confirmou com a maior naturalidade do mundo. – A ignorância alheia muitas vezes é uma benção.
Lisa não podia acreditar. Levou a mão à cabeça abismada, rindo.
— Sem dúvidas, você é maluco.
— Maluco ou não, fiz o que achei que deveria ter feito. – levantou retirando as coisas da mesa. – E funcionou. - abriu um meio sorriso cínico. - Como prometi, vou limpar a cozinha.
— Certo. – sugou o resto de suco que sobrara em seu copo. – Não, deixa que o meu prato eu ponho na lavadora. – impediu quando ele se aproximou para apanhar o seu prato. – Enquanto você limpa aí, vou colocar a mão na massa. – informou fazendo o que impediu que Kevin fizesse.
— O que vai fazer?
— Decorar a mesa de uma festinha de aniversário. – revirou os olhos. – Um saco! A mãe do pequeno aniversariante é o cúmulo da exigência.
— Nossa! – surpreendeu-se. – Não sabia que também era decoradora. Você é confeiteira, professora de francês, decoradora… Uau! O que mais você é, garota? Cada dia descubro alguma coisa diferente.
— Sou qualquer coisa, exceto cozinheira. - gargalhou. - Meus dotes culinários se resumem a doces mesmo. É... - pensou - Eu sou um pouco de tudo e no final das contas, não sou nada. – riu. – Bom, vou me mandar. A velha já deve estar puta da cara comigo, queria que fosse para lá há uma hora. Outra vez vou repetir: fique à vontade.
— Ok, obrigado. – sorriu sem tirar a atenção de sua tarefa. – Ela mora muito longe, a mãe desse aniversariante?
— Quilômetros!
— Que pena. Então vou ter que ficar muito tempo ainda aqui sozinho. Espero que esteja de volta às oito pelo menos.
— Por quê? – achou estranho. – Será que bastou colocar um homem debaixo do meu teto para ter a vida controlada?
— Lisa, Lisa… cuidado com essas suas brincadeiras…
— Perdão, perdão! Deus me livre despertar a fúria de um dark. Coitado do Michael, nem sei se sobreviverá as próximas duas encarnações!
— Ô Lisa… Sai daqui, tá legal? – ameaçou lançar o detergente em sua direção.
Lisa correu na hora. Mas não demorou para voltar.
— Agora é sério, tenho que ir mesmo.
— E quem está te segurando? – simulou desprezo.
Ela apertou os olhos e deu-lhe um empurrão de leve. Ele achou engraçado. Antes de sair de uma vez por todas, teve que falar:
— Você sabe que ainda estou barbarizada com o que fez com Michael?
Ele foi fazer algum comentário quando ela já tinha se afastado, elevando a voz para ser ouvido:
— Com toda certeza, esse não vai mais encher o saco!
Ao que tudo indicava foi ouvido. O riso de Lisa ecoou pelo corredor.
— Samantha…
Devia ser a quarta vez que Anthony chamava Samantha pelo lado de fora da porta do seu quarto sem resultados. Como sua mãe, trancafiou-se e não tinha quem pudesse lhe fazer sair. Ele estava quase enlouquecendo, passava das seis da tarde e nada de elas desempatarem.
Jeremy ainda não chegara, Elizabeth e Mary tiraram o dia de folga e foram aproveitá-lo em algum lugar, ou seja, o silêncio na casa era pleno. E agonizante.
Anthony não se mostrou nada disposto a desistir, sabia que estava bancando o chato, mas não importava. Tudo o que queria era poder conversar com sua filha. Ela estava passando por um momento dificílimo na vida, era imprescindível o apoio do pai.
O porém é que ela não portava da mesma opinião. Estava confusa, magoada, mais do que perturbada e com ódio também. Não queria aceitar muito, mas no fundo estava certa de que estava com ódio, da mãe, do sujeito que jamais imaginou que pudesse ser seu irmão, da vida… e até daquela voz irritante do seu pai que não parava de chamar! Que insistência! Será que ele não podia entender que queria ficar sozinha, se possível para sempre? Quanta chateação!
Seguro de que a porta não seria aberta, resolveu desistir. Como num lance de sorte, inconscientemente tocou na maçaneta e ela se abriu. Samantha, jogada na cama, não pôde acreditar que pudera ser tão distraída em ter esquecido de trancar a porta. Ao ver a figura do pai adentrando o seu espaço, revirou os olhos para o teto branco onde havia um lindo lustre pendurado e tapou a cabeça com um enorme travesseiro. Esgotada, implorou:
— Pelo amor de Deus, me deixe ficar sozinha!
Ignorando as súplicas da filha, Anthony invadiu ainda mais o aposento.
O dormitório de Samantha não tinha muita diferença dos dormitórios das adolescentes americanas de sua classe social. Ricamente mobiliado e decorado com tons de branco e rosa, era um dos cômodos mais amplos e talvez o mais organizado da mansão. Ela fazia questão de limpá-lo e arrumá-lo sozinha, sem a intromissão de ninguém, afinal, era onde ficava as coisas que mais considerava importantes. Seu computador, sua TV, e principalmente sua coleção de bichos de pelúcia que tomavam quase todo o lugar.
Era todo o tipo de bicho espalhado pela cama, pelo carpete branco, alguns ficavam escondidos no armário, outros ficavam na sacada. A visão que eles proporcionavam era de exagero, eram incômodos, mal dava para caminhar ali dentro, era quase impossível fazê-lo sem pisotear em um ou dois bichos. Alguns já estavam encardidos por este motivo. Elisa sugeriu construir uma casa para eles no jardim, mas Samantha recusara.. Embora ultimamente estivesse pensando em, talvez, reconsiderar a proposta. Estava vendo que aquilo andava passando dos limites.
Apesar da impressionante quantidade de animais de pelúcia e de ser um quarto luxuoso, que demonstrava o poder aquisitivo de seus pais, não deixava de ser um quarto comum. Adorava estar ali, tinha tudo o que precisava.
Exceto paz…
— Filha, será que dá para conversarmos um pouco? – ele perguntou com cuidado, fazendo-a lembrar de alguns patéticos momentos de infância quando ele usava esse tom para querer convencê-la de alguma coisa.
— Pai, eu quero ficar sozinha, em paz! – foi bem direta, sem descobrir a cabeça.
Ele tratou de fazer isso com cuidado, colocando o travesseiro em cima de um urso panda enorme que estava no chão. Desajeitadamente, ela se sentou na posição que julgava ser a mais confortável possível, com a coluna reta e as pernas entrelaçadas como se fizessem um nó. Anthony notou que seus olhos estavam vermelhos, o que em sua dedução era indício de choro.
Um ficou olhando para a cara do outro por quase um minuto sem saber o que falar. Num sobressalto, Samantha achou melhor ir direto ao assunto.
— Você já tá sabendo?
Anthony não esperava que essa pergunta viesse assim, tão de repente. Pelo que parecia havia se enganado. Ela estava muito mais preparada psicologicamente para ter essa conversa do que ele.
Numa voz baixa e esforçada para manter-se calma, ele respondeu pegando em sua mão:
— Sim, minha filha. Se por acaso refere-se à história de sua mãe com Kevin, eu já estou sabendo.
— Que absurdo, não, pai? Como mamãe teve a coragem de fazer isso conosco e principalmente com você?
— Ela não me traiu, Samantha. – teve que assumir, mesmo que não conseguindo disfarçar o desgosto. – Quando Kevin nasceu, nem sonhávamos ainda em nos conhecer. Isso foi coisa do passado.
— Não deixa de ser um tipo de traição o fato de ela nos ter escondido a verdade todos esses anos! – gritou largando sua mão. – Poxa! Minha mãe está mentindo para mim desde que eu nasci! E para o Jeremy também. Pai, nós convivemos com uma autêntica farsante em casa!
— Samantha, não precisa ser tão rude… – ele tentava amenizar, apesar de ser obrigado a reconhecer para si mesmo que a filha dizia a verdade.
—… farsante! Farsante sim! – persistiu cerrando os dentes. – Desculpa papai, mas foi a única palavra que encontrei para descrevê-la. Mas isso não é o que mais me revolta, sabia? O que mais me revolta é ter que ser irmã daquele… daquela coisa!
Em toda a sua vida Anthony nunca tinha visto sua filha tão revoltada, aliás, nunca a tinha visto revoltada realmente. Ela era rebelde, petulante, mas revoltada... A única vez que a viu daquele jeito foi quando perdeu um torneio de basquete na escola, mas isso era pouca coisa, ela logo esqueceu e só tinha oito anos de idade. No ano seguinte compensou essa perda arrasando nas quadras e ganhando até uma medalha de ouro.
— Sua mãe te contou direito o que aconteceu?
— Contou não contando. Apenas relatou uma história clichê de filme romântico de quinta categoria cuja mocinha se apaixona pela pessoa errada, o papo velho da mocinha ingênua que se entregou para o garanhão e se deu mal. – olhou para cima com desdém. – Piegas!
— Eu não sei o que te dizer, filha. Só acho que não deve estar sendo fácil para ela também. Mas para nós tampouco... - teve que admitir.
— Eu não tenho pena dela não, pai. – afirmou sem medo de ser franca. – Tudo o que fez foi porque quis, ninguém a forçou. Ela se considera uma heroína, uma mártir que merece uma estátua em homenagem só porque não abortou! – trouxe à tona o seu sarcasmo. – Cada vez mais, apesar de toda a informação que temos disponível, milhares de jovens burras caem nessa armadilha e passam pelo mesmo que mamãe passou. Há algumas mais burras do que outras. Várias são espertas e optam pelo aborto para levar adiante as suas vidas. Outras preferem a gravidez, mas não é por isso que largam os seus bebês depois. Por causa de um moralismo idiota, ela se ferrou.
— Se ferrou e ferrou outra pessoa junto com ela.
— Outras pessoas! – elevou o dedo indicador ao teto.
Anthony concordou.
— Não deixa de ser verdade. Então. – pensou. – É sobre isso que quero lhe falar.
— Não estamos falando?
— Quero falar mais precisamente sobre o seu irmão.
— Ah, pai, que palavra mais forte! Dava pra ser um pouco mais delicado? Ainda não acostumei com a idéia de ser irmã daquele negócio…
—… Samantha! – repreendeu. – Minha filha, não seja injusta. O que é que te falei sobre nunca olhar as coisas apenas por um ângulo só? Quem olha as coisas por um ângulo apenas…
—… é alienado. – completou de olhos revirados. – Tá certo, pai. O problema é que não consigo encontrar outro ângulo.
— Não consegue ou não quer?
— Não consigo. Acho que se conseguisse não sofreria tanto.
— Pois é essa a minha intenção. Quero que sofra menos com isso. Quando eu soube, foi no primeiro instante, não duvidei em nada da sinceridade que era evidente naquele estranho rapaz e a falta de atitude de sua mãe perante aquilo, a condenou de imediato. Eu me senti como você, com raiva, vontade de me isolar do mundo ou matar todo o mundo! O mundo para mim parecia que tinha caído. Aí depois, como não sou um alienado, fui refletindo, refletindo… É claro que não foi fácil, levou um tempo para que pudesse ver algum outro ângulo além do meu, mas com calma, acabei vendo e acredite, estou me sentindo ao menos um pouco melhor.
— Não está dando para perceber. O que vejo é um homem lutando contra seus sentimentos de orgulho.
— Como devemos encarar isso de outra forma? Essa é a principal questão.
— O principal problema.
— Por que não tentamos ver pelo ângulo do Kevin?
— Por que do Kevin e não da mamãe?
— Porque este eu ainda não consegui. Francamente...Talvez jamais consiga.
— Não por isso espere que eu o faça! - assegurou veemente.
— Se o fizer me conte. Combinado?
— Não vai acontecer. - insistiu impaciente. - Mas... olhar pelo ângulo do Kevin… como?
— Vamos questionar o que Kevin deve estar pensando dessa situação.
— Desse jeito não chegaremos a lugar nenhum, pai. Aquilo não parece pensar.
— Samantha! – repreendeu outra vez, com desânimo.
— Tá bom, pai, desculpa. Se você consegue imaginar o que aquilo pensa, se é que pensa, vá em frente.
— Como você se sentiria se fosse abandonada por sua mãe, obrigada a ter que viver com uma outra família sem saber o paradeiro dela durante quase toda a sua vida e quando finalmente conseguisse encontrá-la, ela te rejeitasse?
— Pra começar, se minha mãe tivesse a audácia de me parir e me abandonar, eu nunca que a procuraria. Eu não ia querer saber, não ia querer ter idéia de como seriam as fuças dela! É muito desaforo.
— Este é o seu ponto de vista. Parece que o dele não é. Ele pode até ser esquisitão e tudo mais mas… Você percebeu a maneira com que chamou sua mãe de mãe? – fez uma pausa para ela relembrar. – Ele estava inseguro e ao mesmo tempo muito ansioso. Ansioso por alguma reação da parte dela, que simplesmente não veio. Elisa foi fria, ignorou-o totalmente. Talvez por nossa causa, estava com muito medo. Mas imagine como ele se sentiu? Pense Samantha, ele foi abandonado quando era um bebê e só agora pôde conhecer sua mãe de verdade. Deve ser muito dolorosa essa indiferença toda. Tudo bem, você não gosta da idéia de tê-lo como irmão, assim como eu não gosto da ideia de um bastardo na família e nem temos que gostar se não quisermos, no entanto, sentir raiva de uma pessoa que nem conhecemos, nem sabemos se é boa ou má, simplesmente por ela levar o sangue de sua mãe não faz sentido. Em realidade, ele parece-me mais uma vítima nesta história.
Ouvindo seu pai falar dessa forma tão aberta e ao mesmo tempo tão verdadeira, Samantha foi percebendo que seu conceito sobre Kevin começava a se abrandar um pouco.
— Pense bem, Samantha. Não trate-o mal se cruzar com ele. Você é uma garota amadurecida para sua idade, estou certo de que está compreendendo o que quero te dizer. Por esse motivo te peço para pensar bem, pensar muito bem antes de ser injusta.
— E aí, Samantha? Me empresta aquele jogo de estratégia que a gente tava jogando outro dia? – Jeremy foi entrando no quarto com um skate debaixo do braço e jogando o rosto pra trás toda a hora por causa de uma mecha de cabelo que não lhe deixava em paz. - Vou pousar na casa do Alex e quero levar pra gente jogar à noite.
Samantha o olhou bem séria.
— Ah, desculpa. – lembrou. – Sempre esqueço de pedir licença, é que a porta do quarto estava aberta e… – reparou algo de diferente em suas expressões. – Que clima é esse, hein?
Samantha e Anthony entreolharam-se e, vendo que ela tinha algo em mente Anthony achou melhor impedir.
— Deixe quieto, Samantha.
— Quieto por quê? – ela não conseguia entender.
— Sua mãe é quem deve contar. – disse Anthony.
— Que diferença vai fazer? – não concordou. – Tanto faz ela contar ou eu.
Jeremy olhava para um, olhava para outro, completamente perdido e curioso. Aquela lengalenga já estava lhe dando nos nervos e ele resolveu reagir:
— Contar o quê, gente?!
Ninguém dizia nada. Anthony olhava para a filha quase entrando em pânico. Samantha olhava vagamente para baixo com cara de quem ia aprontar.
Aquela indecisão estava deixando Jeremy com os nervos cada vez mais à flor da pele. Dividido entre para quem olhar, falou impaciente:
— Anda, gente! Desembucha logo! O que é que vocês tem para contar?
Samantha lançou um olhar de dois segundos para o pai antes de se dirigir ao irmão.
— O negócio é que não há muito para ser contado, Jeremy. Tudo já foi dito por Kevin.
— Kevin? Quem é Kevin? – não recordava o nome.
— Kevin é o cara que esteve aqui aquela noite falando, ou melhor, tentando falar com a mamãe, lembra?
— Aquele palhaço pintado que se dizia ser nosso irmão?
— Se dizia não. Ele é nosso irmão. – informou com convicção sem a menor piedade.
Jeremy levou um tempo para assimilar as coisas e assim que assimilou, tornou-se pura perplexidade.
— Está louca, Samantha? – sua voz mal saía, sua boca ficou pálida e seu corpo todo tremia. – Pai, você tem que internar essa garota! Ela está maluca, não fala coisa com coisa! – reclamou quando em realidade, ele é quem estava quase enlouquecendo.
— Diga a ele, pai, se é mentira minha! – gritou.
Anthony sentiu-se sobre a mais forte pressão de sua vida. Olhava para os dois filhos que esperavam atentos por uma reação sua. Uma reação que para ambos era considerada decisiva.
— Anda, pai! Fala! – Samantha apertava seu braço. – É mentira minha? O Kevin não é o nosso irmão?
Quando se deu conta, já estava respondendo:
— Não, Samantha. Não é mentira sua. O Kevin é realmente irmão de vocês e…
Achou melhor parar por ali. Seu filho estava com os olhos saltados e tão pálido que poderia até desmaiar.
Descrente e com o olhar paralisado, ele sacudia de leve a cabeça e tentava se enganar.
— É mentira! – gritou jogando o skate contra um dos bichos de Samantha.
Ela observou furiosa, porém, preferiu não puxar briga. Seu irmão estava desequilibrado o suficiente para poder até matar alguém.
— Vocês estão mentindo! – sua voz pelo corredor ficou tão grossa e estridente que era de dar medo. – Por que mamãe ao invés de estar no jardim está trancada no quarto? Quando o tempo está bom como hoje ela gosta de ficar sentada lá, para sentir o aroma das flores. O que vocês fizeram com ela? Brigaram com ela por preferirem acreditar naquele tipo esquisito?
Ele parou de falar por um instante.
— Ah… já sei! – sua maneira de atuar era idêntica à de um paranóico. – Vocês brigaram com ela e agora para se vingar, resolveram usar como trunfo a cena maluca que presenciamos há alguns dias. É só para eu sentir ódio dela, não é? – Samantha meneava a cabeça, inconformada e incrédula. – Pois não vão conseguir! Nunca! Jamais sentirei ódio de minha mãe! Querem saber? Estou odiando é vocês! Odeio vocês!
Para o alarde de Anthony e Samantha, ele foi parando na porta do quarto da mãe.
— Mãe! Mãe! – gritava quase arrebentando a porta. – Mãe, você tá bem, minha mãe? O que foi que te fizeram? Fala comigo, minha mãe!
A cena era de despertar compaixão. Como se quisesse abraçar aquela porta, ele chorava inconsolavelmente.
— Saiam daqui! – enxotou-os, não queria mais vê-los atrás dele. – Mãe, diz alguma coisa, fale comigo! Eu sei o que estão te tramando, saquei qual é a deles, mas pode ficar tranqüila, não acredito. Não sou tão otário a ponto de acreditar no que a cadela da Samantha disse! – acentuou o “cadela” abismando Samantha. Ele nunca a tinha xingado de um modo tão feio. – Você tá me ouvindo, mãe? Tô dizendo que não acredito no que Samantha falou. Nunca irei acreditar que aquele palhaço pintado vai ser meu irmão. É absurdo!
Em centésimos a porta foi abruptamente aberta, quase derrubando Jeremy. Elisa saiu do quarto imponente, ignorando o abraço que seu filho lhe oferecia e dirigindo-se em passos fortes até Samantha. Só tinha olhos para ela no momento.
— Você disse o que, Samantha? – tentou pressioná-la contra a parede.
Em vão, pois Samantha recuava os pássos mas não se intimidava. Mantinha a cabeça erguida para encará-la.
— A verdade! Eu disse a verdade! – falou com petulância. – Falei que Kevin é o nosso irmão realmente, o filho que você largou quando era apenas um bebê de colo sua covarde e que agora…
Suas palavras foram interrompidas por um violento tapa no rosto.
Olá! :) Bem, sem dúvida que Samantha é uma personagem muito carismática, identifico-me muito com ela mas ela é um tanto cruel com Kevin. Sou suspeita porque gosto de Kevin. Adorei o almoço! haha Ri muito daquele frango mal cozinhado e dos dotes culinários de Lisa se confinarem apenas à confeitaria, foi muito engraçado! Adorei a maldição sobre Michael! ;) O típico "machão" que quando confrontado acaba por se mostrar bem covarde! :D Acho Elzabeth uma personagem bastante complexa. Eu teria sido mais direta até porque a verdade ia acabar por prevalecer :D Entenda-se que tinha sido mais direta se fosse eu que estivesse a passar pela situação dela :) Continuo a achar Anthony muito sensato! Deve ser a minha 2ª personagem preferida! ;) Mais uma vez, e tornando-me repetitiva, os meus parabéns! :D Estou a adorar esta sua história! :D
ResponderExcluirUuui! A coisa está ficando quente na família de Elisa.
ResponderExcluirChristian, seus personagens estão bem agitados agora. Elisa, pelo jeito ainda vai ser bastante massacrada, mas uma coisa é certa nessa vida: a gente pode até ter as coisas resolvidas pelas circunstancias, mas as consequências ficam.
E o Kevin está mais comunicativo, está aparecendo mais seus valores, seus pensamentos, seus sentimentos.
Adorei o capítulo e esse tapa vai ficar doendo até a próxima postagem. Acho que a Samantha mereceu o tapa, afinal ser verdadeira e nao aceitar as mentiras da mãe é uma coisa, faltar ao respeito é outra. Como o irmão não a devia xingar, ela também nao devia ter xingado a mãe de mentirosa... Sei lá vamos ver como fica tudo.
Beijokas doces e inspiradoras para meu querido escritor.
A Samantha têm cá um feitio :p
ResponderExcluirE a chapada foi merecida e gostei imenso de ler o outro ângulo da situação que o pai tentou mostrar à Samantha.
Tens de publicar esta história! :D
Vamos ver como ficam as coisas nessa família...Um abraço, Yayá.
ResponderExcluirOi Christian!
ResponderExcluirPeraí, deixa eu respirar... ufa!
Que forte! Foi a parte que mais me fez ficar apreensiva. Fiquei pasma com a reação do Jeremy, nunca imaginei que ele pudesse agir dessa maneira e também não esperava o tapa da Elisa na Samantha. O_O'
É impressionante que ela (Elisa) ainda tente colocar a culpa no Anthony. E mais impressionante é que o Anthony ainda se sinta culpado pelo estado dela. Parece que as coisas nessa família viraram de cabeça pra baixo. O_O'
Já com o Kevin e a Lisa, tudo indo tão bem... eles se entendem tanto, apesar de não se conhecerem. Há tanta sinceridade entre eles... E a Lisa sempre me surpreende pela maneira como ela é independente e decidida, vejo que o Kevin também se mostra cada vez mais impressionado com as atitudes dela.
Muito boa essa parte, Christian, muito boa mesmo! Meus parabéns. :)
Beijocas,
Ismália .
Obs.: Espero que seu dedo já esteja melhor. :)
Obs. (2): Tenho um bichinho aqui dentro de mim, chamado Curiosidade. Sempre que leio seu blog, o bichinho fica histérico pelo resto da semana.
Obs. (3): Não sei se você já percebeu, mas eu adoro uma observação... :D
Eu estou curiosa!
ResponderExcluirO que vai acontecer?
Vou torcer!
Sua história esta fantastica
com amizade e carinho de Monica
agradecendo e retribuindo o carinho da visita ... muito bom poder viajar aqui por suas emoções e sentimentos ... seguindo ...
ResponderExcluirbjão
passei para conferir um pouco seu blog, e agradecer a visita em meu (idealismomental) obrigado.
ResponderExcluirE ai voltareri ao seu blog, para conferir melhor os poster.
Relacionamentos são assim mesmo, conturbados. Qto a Elisa por a culpa em Anthony é normal fragilizados precisamos de um apoio de uma muleta para andar e alguem precisa ser esta muleta...rs
ResponderExcluirBoa leitura neste capitulo aguardo o próximo
Abraço
Que o amor e a amizade
ResponderExcluirQua nasceu entre nós, prevaleça !
Que você jamais me abandone!
Porque eu nunca te abandorei!
Não se esqueça estou te seguindo
E te amando.
Logo se Deus quiser voltarei com minhas visitas.
Beijos com infinita ternura .
Uma linda semana.
Evanir..
Por onde anda meu escritor? ainda estou com a dor do violento tapa!
ResponderExcluirBeijokas doces!
Olá Hayley!
ResponderExcluirPor certo que Samantha é uma de minhas personagens favoritas desta história e ainda vai surpreender a muitos. Sua crueldade com Kevin é devido sua não aceitação dos fatos, foi tudo muito de repente, descobrir um novo irmão já na adolescência, uma fase tão conflitante e para complementar, um irmão tão exótico, confunde sua cabeça. Mas bem, eu sou suspeito para falar de Samantha, não por ser minha personagem, pois todos estes criam vida, mas há sempre aqueles por quem possuímos predileção.
Ahah, o almoço foi para descontrair, diante de uma trama com muitas cenas conflitantes, acho digno suavizá-las com humor ou simplesmente com algo simples do cotidiano para dar um descanso a alma do leitor que terá que se preparar para muitos conflitos futuros.
A maldição sobre Michael apenas enfatiza a insegurança dos ditos machões e do quanto, até mesmo eles, não ficam vulneráveis a certos mitos diante do que foge aos padrões.
Elisa em verdade tem muita insegurança e não consegue ser direta, tem muitas fraquezas e não sabe ainda como lidar com elas, simplesmente por acreditar que sabia até tudo desmoronar diante de seus olhos. Também gosto das atitudes de Anthony e no próximo episódio se surpreenderá com ele.
Muito obrigado. :)
Olá Marly! Sim, isto é verdade, eu tenho por vezes o hábito de começar uma história aparentemente morna e depois deixando-a agitada. Não são em todas as obras, mas em algumas delas, principalmente as mais conflitantes como é Ironia do Destino.
ResponderExcluirElisa pensou que poderia dominar as circunstâncias, mas as consequências ela não esperava ter que lidar. Achava que estava livre, imune e agora, tudo isto, a enlouqueceu e perdeu a paciência liberando com tudo o tapa no rosto de Samantha.
Este tapa é contraditório, alguns concordarão, outros não. O que é indiscutível é que Samantha tem um mau feitio difícil de ser dominado, alguns simpatizam com isto e outros não.
Beijos inspiradores para você também, minha poetisa e escritora.
Ahah, Soraia, outra defensora do tapa de Samantha.
ResponderExcluirSim, ela tem um mau feitio quase incontrolável, para não dizermos que o é.
Anthony é sempre muito sensato e sempre tenta remediar as situações, nem que seja algumas vezes com o silêncio como o fez por anos.
Esta é minha intenção, publicá-la, sem dúvidas.
Aham...
ResponderExcluirAhah, penso que no próximo episódio precisará respirar ainda mais Ismália.
ResponderExcluirTanto Jeremy quanto Samantha possuem um feitio complicado, contanto, penso que Samantha tenha mais mau feitio que o irmão.
Elisa precisa colocar a culpa em alguém e Anthony, como toda pessoa sensata, costuma sempre pesar prós e contras e quem pensa muito, acaba mesmo por se sentir culpado até pelo que não o é.
Lisa e Kevin, mesmo não se conhecendo bem, são pessoas mais tranquilas. Lisa é decidida, mas isto não a torna petulante ou revoltada, apenas é uma pessoa forte.
E quanto a este seu bichinho, tente adestrá-lo. E sim, percebi que adora observações. ahah. Algumas vezes abro uns PS's nos Escritos Lisérgicos também.
Muito obrigado pelos parabéns.
Mônica, muita coisa ainda irá acontecer, pode aguardar.
ResponderExcluirMuito obrigado, realmente.
Obrigado pela presença.
Não seria preciso agradecer nem retribuir, mas já que o fez, agradeço e espero que goste. Embora saiba que a maioria dos blogueiros que assumem blogues como uma troca de favores jamais voltem se não voltarmos aos blogues dos mesmos.
ResponderExcluirNão é uma acusação, talvez seja apenas educado e diferente.
Repetindo o que disse ao Paulo, não precisa agradecer nem retribuir se não quiser. A leitura de blogues deve ser feita de maneira espontânea e não simplesmente como obrigação.
ResponderExcluirÉ Aclim, acho que se pudéssemos ter a oportunidade de olhar os relacionamentos de cada pessoa, veríamos que há sempre alguém feito de muleta na maioria das vezes. E afinal, qual relacionamento não é conturbado, não é mesmo?
ResponderExcluirObrigado por mais um comentário.
Evanir, penso que você seja um dos tipos de pessoas que vejo na blogosfera que não lê os posts e, ao invés de comentar, libera uma "poesia".
ResponderExcluirUma linda semana para você também.
Ahah, logo a dor vai passar minha poetisa (e escritora). O novo capítulo já irá ao ar.
ResponderExcluirEu não acho a Samantha carismática, mas sim arrogante. Parva, mesmo. Ela não só discrimina os outros, como se acha a maior. Essa bofetada foi mais do que merecida. Não digo que ela seja má moça, mas tem mania a mais. Tem de aprender que o mundo não é só dela. Tem de aprender a respeitar o próximo e a ser menos mimada. Muito menos.
ResponderExcluirAh, outra coisa que me apareceu à mente enquanto lia: eu não gosto mesmo desse agrupamentos sobre os góticos. Cada um é como é. Não é por ser gótico que o Kevin tem de ser algo. Não gosto quando a Lisa começa com essa história acerca do que aquilo que os góticos fazem. É como se o Kevin não fosse individual, mas apenas uma cópia do estereótipo dos góticos. Também me chateia que ele próprio se discrimine, orgulhando-se de ser um gótico. Eu já tinha posto um travão na brincadeira.
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